quarta-feira, 24 de agosto de 2011
cena 24 de agosto
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
tempo é movimento, ao correr.
descanso, letargia: eternidade.
não há alternativas, na verdade,
que leve qualquer louco a não morrer.
domingo, 14 de agosto de 2011
23, dia dos pais

quinta-feira, 11 de agosto de 2011
dois patinhos na lagoa
terça-feira, 9 de agosto de 2011
(021)
sábado, 6 de agosto de 2011
vinte ver

Estado.
Andando pela praia primeiro dia à noite, primeira noite, no alto do monte vejo um fogo incendiar. Lá longe. Espero que apague.
Meu chinelo arrebenta e sigo, com pé no chão que fica imundo. A sujeira do mundo inteiro se estende pra que eu pise. A sujeira do mundo condensa em meus pés.
À beira da calçada um cão espera. Deitado, olha para cima de um morro longe, do lado de lá da avenida. Outro cachorro deitado, no mato, espera. No alto do morro. E olha o primeiro cachorro. Estão a esperar que a altura se abaixe.
Tremula no caminho um edifício em construção. A rede que protege da queda de entulhos dança ao vento. Tremula o edifício no caminho, e nada mais preciso.
Mas no tremular do mar, ao lado de onde estou, emerge a tartaruga. Breve, e logo afunda.
sábado, 30 de julho de 2011
aos dezenove ele não vai lembrar

quinta-feira, 28 de julho de 2011
dezoito voa

algo se move sob meus pés
dezessete cm³

a resposta está na pergunta
segunda-feira, 25 de julho de 2011
experimento kinsey
sábado, 23 de julho de 2011
cinco jackson sem pandeiro

a primeira vez que ouvi
sexta-feira, 22 de julho de 2011
cena 16, de volta

quinta-feira, 30 de junho de 2011
cena 15, neutrox 1

sábado, 25 de junho de 2011
cena 14, ulrico mursa

cena 13 santo antônio em dia são joão

sexta-feira, 24 de junho de 2011
(cena) 12 sentido terminal

quarta-feira, 22 de junho de 2011
ônzima cena

segunda-feira, 20 de junho de 2011
cena dez
anotações para um romance nada romântico em clima de festa junina

o coração bombeava sangue pelas veias
segunda-feira, 13 de junho de 2011
cena banal (da) nona
segunda-feira, 6 de junho de 2011
resposta a João Cabral
jour de belle inspiration

cena banal eight(8)
domingo, 5 de junho de 2011
ais

segunda-feira, 30 de maio de 2011
suposições sobre o expatriado
sábado, 28 de maio de 2011
sétima cena banalíssima
quem trouxe você fui eu...

domingo, 22 de maio de 2011
cena banal seis
Não era necessária muita insistência para que Ormarg aceitasse o programa: estava sem parceira já há muito tempo, subia pelas paredes se não estivesse em campo de batalha. Vermorc dissera que a fêmea era boa, uma grande, encorpada, bem comos gostam os orcs.
Na beira do mar encontrou Ormarg sua dama. Ela sorriu para ele, virou as costas e garbosamente bateu com o rabo na superfície da água. Era uma orca e tanto.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
des regardes

dizem que o amor é cego
e a beleza está nos olhos de quem
vê
ouve, então,
que és mais bela que a lua
no verão
e eu não via
antes de te conhecer
nem um palmo à frente do nariz
não que agora estou feliz,
ou que meus olhos te embelezem:
és bonita se te veem
ou se se fechem.
sábado, 14 de maio de 2011
quinta cena banal

cenas banais IV
quarta-feira, 11 de maio de 2011
terceiras cenas banais

quinta-feira, 5 de maio de 2011
segundas cenas banais

sexta-feira, 29 de abril de 2011
cenas banais
quinta-feira, 28 de abril de 2011
caminha através do mundo
crianças
correndo aos gritos
caminham por entre flores
que bela cena
fresca e bela
é observar, da janela,
esse eterno caminhar.
gritos de crianças
purezas de crianças
e flores a passar
quarta-feira, 27 de abril de 2011
altar de ater o tempo
num altar de flores
podrecentes.
com flores a morrer é que ele
diariamente
oferenda ao velho tempo que lhe passa
sua graça
e danação;
num altar de flores que apodrecem.
Uma série de deuses
há coisas que
a teus olhos
ainda não brotaram.
uma série de deuses
de crenças
de revelações.
Há coisas que ateus
não vêem.
mas há tempos que crêem,
ateus ou não,
em sinais, em contatos
imediatos
há tempos que a água
com seus sais
- de suor
ou de lágrimas -
há tempos que as vagas
tuas ondas
batem em meu cais.
E isso, amor,
teus olhos já notaram.
Há, apenas o medo de aportar.
terça-feira, 26 de abril de 2011
não sei se há verão

não sei se há verão
de onde vocês vêm
não sei
só sei que, donde venho,
há um vento verso e vário
que, soprando em tais horários,
traz a chuva, o amor
e mais.
não sei se haverás
de saber por onde corro
não sei se ouvirão meus pedidos de socorro,
meus ais...
não sei se atenderão a porta
à campainha,
para abrir a uma visita ilustre
e esperada.
É claro que não sei de nada!
quem saberá?
não sei se há verão pra onde tu caminhas
mas leva minha voz
meus olhos
e esta lanterninha pra iluminar toda tua escuridão.
parole, parole, parole
quando digo amor, pensas paixão
quando falo vôo, avião
quando eu tragédia, pensas merda!
às ideias se dão sentidos vários
as palavras são fogos de artifício
as pessoas são maus incendiários
segunda-feira, 25 de abril de 2011
oração a Nossa Senhora dos Portais, a guardiã do óbvio caminho

Nossa Senhora dos Portais
quinta-feira, 31 de março de 2011
Uma noite de blues em Santos

Na verdade foi tarde. À tarde. Montaram a aparelhagem no meio da calçada, num centro da cidade, beirando a noitinha. Era mais de sete quando a coisa começou. Mário Bortolotto, Fábio Brum e Marcelo Watanabe tocando um blues na guitarra acústica. Violão. E o amplificador amplificando um som que quase nunca rola na cidade.
Era lançamento de livro, "DJ", do Mário, e tinha uma porrada de outras coisas sobre a mesa. "Atire no dramaturgo", "Nossa vida não vale um Chevrolet", "Bagana na chuva", tudo que eu gostei mas não comprei, porque sou um filho da puta dos diabos. Simplesmente é assim. Qualquer hora compro.
E quando vi a moça da TV coordenando a reportagem, entrevistando Mário, ela piscou pra mim. Sim. Mas foi bem natural, pois já a conhecia de antes do jornal. Antes da TV. E foi fiquei feliz de tê-la visto ali, depois de sei lá quantos anos sem. Ver.

Dizem que a TV deixa as pessoas mais bonitas. Hei de concordar. A menina ficou linda depois de se empregar. E quando a vi na tela nem imaginei, mas ela ali na rua, na loja Realejo, foi sinceramente de causar um blues de espanto. Ou, talvez, eu simplesmente nunca tenha visto direito. Antes. Mas hoje vejo. Ou, pelo menos, vi hoje mais cedo.
Precisava de um blues. E, se querem saber - o que vocês naturalmente não querem, mesmo porque nem há "vocês" aí - precisava dela, também. De a ver. Fora da TV.
domingo, 27 de março de 2011
Canções das Crônicas de Lalonge - II
a batalha já perdida
olhe o exército arrastado
no deserto.
Olhe sua carcaça,
os seus ossos,
sua carne,
a batalha já perdida e a guerra quase.
Onde está o nobre cavaleiro?
Onde o nosso brado de vitória?
Cadê o guerreiro legendário
que a lenda diz trazer a nossa glória?
A batalha já perdida
a batalha já perdida...
sábado, 26 de março de 2011
Canções das Crônicas de Lalonge - I

areia e tempestade
sacodem o acampamento
areia e tempestade vêm com o vento
desde o céu
e todas tendas sentem
o mesmo do que eu
areia e vento voam
em volta disso tudo
ficar é absurdo
e ter que esperar...
as águas caem forte
silêncio aquieta fundo
areia e tempestade
o fim do mundo.
será que ela sabe
que a espero?
sábado, 5 de março de 2011
carnival

ela vem
e ela vai
e ela vem
e ela vai
e vem
e vai
e pára.
aperto as coxas e ela vai
e eu digo “não, não vai,
espera,
porra
eu vou
...”
eu fui.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
poema perdido numa Gramática
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
menino de sucata
sábado, 11 de setembro de 2010
11 de setembro
sexta-feira, 30 de julho de 2010
brócolis ninja

segunda-feira, 28 de junho de 2010
Naturalmente, de Antonio Nóbrega

Nóbrega busca compor um estilo, uma escola de dança e expressão corporal baseada nas matrizes dançarinas populares: umbigada, capoeira, frevo, etc e mais. Faz como fizeram os responsáveis pelo balé clássico, por exemplo, que a partir de polcas cirandas campesinas e folguedos em torno da fogueira, na velha Europa dos séculos muito poucos, criaram o balé como o balé é. Seja lá quem os responsáveis forem, seja lá. Nóbrega, por aqui, monta mesmo um balé brasileiro, um baléralé marcelinofreiro, e é genial no que mostra.
Várias boas coreografias, com ritmos diferentes cobrindo o espectro bem vasto do passo corporal. Antonio mesmo e duas bailarinas, Maria Eugênia e Marina, que tão de parabéns, de muitos parabéns. Dançam os três durante hora e meia, te convencendo de que saber mexer com o corpo é trabalho para poucos. Nos três números finais, três solos, Nóbrega sintetiza o que cria, ali no palco.
Ele expressa as bases, as coisas todas nas quais se ergue, enquanto os outros solos demonstram o alcance a que a dança pode chegar. Maria Eugênia é de longe a mais ágil e ligeira, e se no meio do show Antonio Nóbrega explica o que são contratempos e tempo sincopado, é isso que ela mostra. Entre os dois, no outro solo, Marina Abib tem a leveza de quem não precisa de solo algum. Sua dança é lenta e sinuosa, mas rápida como uma roda que não pára de girar. Talvez numa das músicas/coreografias mais peculiares do espetáculo, ela se eleva e enleva os olhos do público até o ar. Literalmente. Naturalmente.
sábado, 8 de maio de 2010
ode à manhã
Acordo com o vizinho vomitando novamente. Deve ter câncer no fígado, não sei. Ou não aguenta dar o cu. É, pode ser isso, daí colocar a música tão alto quando mete, o filho da puta.
Espelho. Marcas de mordida e roxos de pancada. Parece que trepei com um cachorro. Corpo ainda quente pelo álcool; faz frio, hoje, sob o sol.
Cozinha. Louça de uma semana, três pessoas e pouco rango. Quase nada além de uns bichos já crescendo por ali.
Copos são as coisas mais nojentas, quando sujam. Quando descansam, decantam, copos criam formas de vida bem estranhas.
Deus deve ter criado o mundo no fundo de um copo sujo.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Vendo tempestades
Raio, lá longe. 1, 2, 3, 4, 5, 6, Cabrum! Estrondo filhodaputa. E eu aqui, sentado, olhando pela janela a chuva que desce. Tempestade mesmo, com vento, raio, trovão, água água água. Parece sei lá o quê. Aprendi esse truque quando pequeno. Tempos depois vi novamente, numa história da Turma da Mônica. Raio, conta, trovão. Depois divide os segundos por três e sabe a que distância está. A tempestade.
Relâmpago. Não sei se lá longe, só vi o clarão. 1, 2, 3, barulho. Merda, tempestade vindo. E eu vendo a tempestade. Pela janela... vendo. Meu deus, eu vendo tempestades!
Será que isso dá dinheiro? Sei lá, ninguém nunca tentou, não foi? Beleza, a merda é sair na chuva. Chuva da porra... Atravesso a rua e um raio cai. 1, 2, trovão. Puta que pariu, dois divido por três dá quanto? Tá muito perto, esse caralho. O próximo deve cair aqui do lado.
Ainda bem que eu trouxe esse pote de, ahn, pote de vidro. Acho que era maionese, antes. Mas tá limpinho, minha mãe lavou, colocou na água fervente. Tá chovendo mais forte agora. Acho que pego o próximo raio. Vai, estico o braço e o pote aberto começa a encher d’água. Tomara que o raio caia. Mas será que basta? O que é que faz a tempestade?
Lá vem o raio. Tô sentindo o cheiro, já, ele tá vindo. Droga, esqueci de esvaziar o pote, porra! O raio caiu. Tô vendo, ele tá vindo. Eu vendo, hahahaha, eu vendo tempestades!
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O ruído, esses sons todos malucos revoando sobre
tudo
sobre nós.
O que há em torno? mundo?
E essa voz
que despenca ouvido adentro
essas vozes
uns sussurros de segredo e
após
o barulho, gritos, ais!
Tudo isso ao mesmo tempo, apitos, medos, surdos abraços de degredo e solidão.
Soluços lancinantes, e barulhos,
ouve!
Houve um tempo em que a voz
ao ser falada
não feria.
Houve um tempo em que eu faria qualquer coisa para ouvir.
Mas agora, ai!, esse ruído e gritaria,
essa alegria transbordante,
essa palavra mal falada
essa mal dita humanidade
que não cala...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
findano
não há caneta,
não há nada.
Não há nem a caneca de lata
onde ele esquenta o café.
A mísera mesa do viajante não anda:
portanto, não é algo bom pra portar por aí.
A mísera mesa do andarilho fôra uma porta
quando ele a viu
e a fez de apoio.
Depois, dormiu.
Até que o caminho que foi
venha
a mísera mesa do viajante
é lenha.

