sexta-feira, 28 de setembro de 2012
coisas da vida
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
saiba se defender
argumentar
pense rápido
ganhe toda e qualquer discussão
mas seja honesto
e sincero
encontre alguém que te abale
que te mostre, afinal,
que mesmo sabendo tudo
argumentar
se defender
você está errado
pelo puro e simples fato
de que estar errado é nossa natureza mais real
encontre quem te vença
e agradeça
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
vejo luzes,
como num quadro de Van Gogh.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
belga
- Mas é aniversário dela. Tu precisa dizer algo.
- Mas o quê? Ela sabe de tudo, já. Eu já falei tanto...
- Mas os outros não sabem.
- E eles precisam saber?
- Hm... acho que não.
- Então!?
- Mas é aniversário dela.
- Eu sei, eu sei. Eu queria dizer algo, mas não consigo. Não sei o que falar, não sei nada.
- Curioso. Tu sempre tem o que falar, sempre sabe, fala pra caralho.
- É. Menos hoje.
- Que é aniversário dela.
- Exatamente.
- Que coisa. Será que era isso que dizia o da Viola?
- "Sem melodia ou palavra"?
- "Pra não perder o valor".
- Não sei. Deve de ser. Ele entende bastante da alma.
- É. E ela?
- Me acalma. Ainda bem que é aniversário dela. Seria chato uma translação em que ela faltasse.
- Viu? Agora todo mundo sabe. Até o mundo!
c ouve- flor
você
comida
e as duas coisas ao mesmo tempo
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
a vida e a vida de joaquim
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
o homem é um animal político
o homem é um animal racional
o homem é um animal simbólico
o homem é um animal social
ninguém lembra que o homem
é um animal animal
serão
somente quando tu fores
domingo, 16 de setembro de 2012
e ponto.
quatro quatro
fez-se book
fernando
abreu
três amigos inseparáveis
dando likes
e shares
pela night
a pé
até que caio cutucou a menina de abreu
e fernando, apaziguando
pô-se no meio e morreu
sábado, 15 de setembro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
um
os três se dividiram
em duas metades justas
beirando as quatro da tarde
por sobre os cinco pinheiros
brilhava o sol derradeiro
da sexta feira de inverno
em breve se ergueria
no céu já rubramarelo
a ponta do sete estrêlo
e o medo rondando perto
em símbolos infinitos
um oito deitado e quieto
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
angelologia I
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
um poema velho em que faltava último verso
espero que um poema
se escreva
que um amor vire certeza
e espero por um nome.
passam dias e mais dias
passam ventos
poesias
passam jornais bolas de futebol crianças brincando sorrisos meninas pedreiros torres de transmissão da rede globo e torre eiffel passa tudo por meu peito mas pela minha vista não passam teus trejeitos só teus lábios
me sussurram
que já fostes,
que tu some.
e a soma de todo o medo
de perder teu horizonte
não tocar mais teu cabelo
desce na garganta como um nó de marinheiro.
espero por um nome
por teu nome
que eu chame e pelo qual
tu volte.
Mas amor não chama nome,
chama?
só é fogo que arde sem se ver
só ferida que dói e não se cuida
amor é quando vou à luta
pra que tu não sussurre
nunca
que já vai...
como amor não tem um nome
eu espero pela paz
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
femen
mulheres nuas manifestando
contra as agruras do capital
mulheres nuas
contra
agruras
do capital patriarcal
machista
mulheres nuas
manifestando
contra machista
só fazem machista
rir
machista não muda nada
porque ele quer mesmo ver
mulher pelada
domingo, 2 de setembro de 2012
é mais real do que estrela
dela
a luz demora anos-luz praqui chegar
o nosso amor é um quasar
eu te como
a cada dente que arrasta
a pele o sumo a casca
a cada dentada certa
a cada mordida adentro
te trago eu pra mais perto
aos poucos vou te comendo
como o mar come o deserto
além do horizonte
que você há de encontrar
olhe para trás
o mundo é redondo.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
com gueixa
nem queixo
com seixo
nem faça uma queixa à gueixa enquanto ela estiver fazendo massagem tailandesa em seu queixo
vá por mim
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
história de terroir
Quando a erva do mato-bravo tocasse três vezes a perna de
qualquer gaiato, a morte não tardaria mais do que o tempo de uma corrida. E
quando lembrou da coceira, no início da trilha, lembrou também da outra vez em
que tal sensação o aturdira. Três dias atrás, embora ele não tivesse certeza.
Não naquela exata floresta, mas bem próximo a ela, num pedaço de bosque ligando
uma vila a outra, passando por sobre um rio e por uma horta, um pomar vistoso
que verdejava na casa abandonada do fim da estrada.quinta-feira, 16 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
lógica do clube
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
de camisinhas
veio o cheiro imediato de um pacote
de figurinhas
lembrança de minha infância
tentando evitar outras
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
quarante troisième
quarta-feira, 18 de julho de 2012
do poeta
ao homem só se conhece
pelos filhos que ele gera
variação cíclica
é uroboros
se o bico
pega no foro
boros
que come seu próprio cu
terça-feira, 17 de julho de 2012
por longo tempo
e a história incendiou
contos de fábulas XI
um fato não é um fato
uma prosa é uma prosa
segunda-feira, 16 de julho de 2012
humana
é que se fala de mais
política [sic]
dos erros de tradução
da terra
pra metida
sexta-feira, 13 de julho de 2012
42
quarta-feira, 4 de julho de 2012
tirar do planeta o fantasma que o assombra
é fácil
basta tomar banho de sol grosso
terça-feira, 3 de julho de 2012
praia
três quero-queros
um mas-eu-não
o álcool lavou
domingo, 1 de julho de 2012
mas mau um pouco já é fogo
sexta-feira, 29 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
pecador
não podendo subir aos céus
inventou o elevador
até a hora que acab
quinta-feira, 21 de junho de 2012
contos de fábulas X
- Porque não quero colocar no mundo mais filhos da puta.
contos de fábulas IX
é que gira o sol
segunda-feira, 18 de junho de 2012
contos de fábulas VIII
contos de fábulas VII
quarta-feira, 13 de junho de 2012
a pé
você atravessa
terça-feira, 12 de junho de 2012
contos de fábulas VI
sábado, 9 de junho de 2012
pegadas na areia
Nos momentos de maior dificuldade, fui carregado nos braços
pelo saci.
contos de fábulas V
sexta-feira, 8 de junho de 2012
contos de fábulas IV
contos de fábulas III
contos de fábulas II
quinta-feira, 7 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
quem tem cabeça dura
é martelo
mais azul que o céu
doutro lado
céu do outro lado
mais céu
segunda-feira, 4 de junho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
não olha a perda
sangue frio
duro de rocha
a pedra é a lição
de que o coração
não é de louça
que o discurso da boa
vontade
sexta-feira, 1 de junho de 2012
contracultura
contravenção
e contraceptivo
são coisas que todos precisam
uma hora ou outra
quarta-feira, 30 de maio de 2012
ser cítrico
ser críptico também não é
bandeira da paz olvidada
terça-feira, 29 de maio de 2012
ludista com
nudista
ludista cai de pau pra dentro
nudista cai
pra fora
são restos
não é minha própria carne
nem sangue
nem alma
o que eu escrevo né nada
que veio do pó e ao pó
vai voltar
são desenterrados
restos imortais
trás donde a lua fez
descida
fica o quarto da casa azul
trás da parede a lua dorme
domingo, 27 de maio de 2012
cristo disse que voltava
"e não quero ver nenhum de vós
quando eu voltar a aparecer"
mas não ouviram.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
sem ver
o tato sem tocar
o senso sem saber
e o santo sem sentir
aquilo que não crê
os membros que andam vão
atrás de um breve ser
de frágil encarnação
espírito a ter
ateus a espirrar
por sobre vendavais
eu próprio já não sou
e eles não são mais
meu corpo não é meu
nem nada a mim pertence
e olhando logo vê-se
que eu mesmo já não hei
como não há fazeres
que afaguem fonte em si
no dia em que me olhei
eu não me vi
contos de fábulas
u'a mesa quebrada
violão sem corda
uma bíblia velha
criança chorando
barulho à janela
garrafa de água
e vizinha velha
nada aqui dentro
é metáfora
quinta-feira, 24 de maio de 2012
as pombas acham paz
que não nos cabe
quarta-feira, 23 de maio de 2012
era tão pacifista
que nem anti
biótico
tomava
terça-feira, 22 de maio de 2012
sábado, 19 de maio de 2012
começas a enxergar de outro jeito
é como se agora fosse visto ao contrário
como se a vista de outro ponto
começasse a ver de dentro
ou algo assim
desconhecendo um rosto conhecido
olhando os olhos primeiro, sorriso,
então a pele que envolve uma alma
cabelos que a cobrem
essas coisas
e não há nada
aparentemente
que faça com que isso aconteça
de repente você olha pra cabeça
e pronto
o mundo simplesmente já é outro
sexta-feira, 18 de maio de 2012
en français
ce que j’attends
et j’attends la réponse
rien ne vient
il n’y a donc rien à attendre
pas de vague mémoire future
pas de circonstance obtuse
rien qui ne se soit pas déjà réalisé
quand je ne me réponds pas
je réponds à ce qui fût demandé
(Tradução: Florine Thomas)
quinta-feira, 17 de maio de 2012
o que estou esperando
e espero a resposta
vem nada
não há o que espere, então
não há vaga memória futura
não há circunstância obtusa
que ainda não tenha chegado
quando não me respondo
respondo ao que foi perguntado
terça-feira, 15 de maio de 2012
u'a porta
não abre uma janela
faz brilhar o sol em todas
domingo, 13 de maio de 2012
é como aguardar
em nível cósmico
o sucesso e superação
da coisa toda
é olhar a realidade
como se ela fosse um executivo
com uma pasta no braço
com papéis e firmas reconhecidas
passando parcelas da vida
a sócios engravatados
esperar pelo fim do mundo
é ver uma meta final
mesmo que ruim e explosiva
procurar por um fim pra vida
ter uma meta
um objetivo
uma gravata
é como fazer da vida
caminho pro fim do mundo
a menos que seja
u'a gravata florida
feliz
não é capaz de entender
que em meio a toda essa paz
no fundo, bem lá no fundo,
por sob camadas de cal
debaixo de meio mundo
oculto no seio de mim
há uma tranquilidade inigualável
binário complementar
das mães
é também o dos filhos
da puta
sair caras à janela
refletido em minha janela
aberta
de onde estou eu não sou
capaz de ver o vizinho
sem ser pelo vidro aberto
da janela branca que viso
deitado na minha cama
dois prédios u'a rua
janelas e vidros
um mar céu cerúleo
vítreo
de distância
vejo o vizinho velho
e a velha do velho vizinho
os dois saindo à janela
e sinto
que desde a janela pra dentro
existe um mundo infinito
quinta-feira, 10 de maio de 2012
que queima no incenso
abelha vem do sol
e quarto adentro
já há mil seres cá
bem dentro das paredes
trocentos pares dasa
um catavento
blues toca na vitrola
luz brilha o céu lá fora
e nada mais agora
há que ser feito
que quero
é o mesmo mundo velho
com um pouco de bom senso
dormiu aberta
o sol nasceu
por dentro dela
e a cama verde
de primavera
brotou um dia quente e aparentemente promissor
o mundo
há quem o faça
e para todos os
efeitos
apresentarei atestado médico quando puder comparecer ao mundo salvo
quarta-feira, 9 de maio de 2012
esperando godô
- Digaí.
- Que é aquilo?
- Quilo o quê?
- Aquilo ali, mermão, aquilo ali.
- Ali? Sei não.
- Pô, vai lá ver.
- Vou não, rapá, vou não. Tá longe, o bicho.
- Bicho...
- Digaí.
- Já sei que é.
- Que é, então?
- É um lance, saca?
- Saco nada. Que lance, seu maluco?
- Ô rapá, é o lance lá de longe.
- E cumé que tu enxerga?
- Ah, tô só seguindo as luzes.
- Só...
domingo, 6 de maio de 2012
dharma do cheiro do ralo
sábado, 5 de maio de 2012
não escrevo poesia
para ser gostada
e os likes de vocês não dizem nada
e nem o que disserem me dirá
porque não há medida para o dia
caia o mundo, cai fernando,
e eu não escrevo poesia
sexta-feira, 4 de maio de 2012
olhou a oeste
estava o leste
lá também
- Porque isso é algo que tu precisa fazer sozinha.
tudo que sei
serias eu
e burro
quinta-feira, 3 de maio de 2012
éden
viu no de adão uma serpente
e deu na sua bola uma dentada
pensando que era fruta diferente
não foram postos fora por comerem
de árvore do sábio fruta alguma
deus se ofendeu foi com o xingo
que adão berrou aos céus
filhadaputa!
cara
janela aberta
o sol no
olho
procuro arco
íris me chama
café.
terça-feira, 1 de maio de 2012
dia do trabalho
- Me conte o que, papai?
- Para que eu conte como o mundo funciona.
- Oh!, e funciona como?
- Com duas pilhas palito.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
do bem e do mal
o pomar inteiro
trás de si
tudo o que foi dia inteiro
mas após cada dia
quase a todo momento
um dia novo supera o primeiro
do amanhã pouco ou nada
o hoje pode saber
apenas o que acontece
consegue a si mesmo ver
domingo, 29 de abril de 2012
cama sutra
mas só algumas achavam estranho
servir de tampo de mesa humana
te confundi com o inimigo e gastei minha energia num devastador golpe mortal
sábado, 28 de abril de 2012
ismael
normativo
arrogante
um fascista
mas não creio em mundo bom
com uns textos ruins assim
no dia em que os surdos
deixando de arrastar
poema escrito a todo lado
verão a poesia
sem estados
sexta-feira, 27 de abril de 2012
o luar
reflete sobre o vidro
do tampo da minha mesa
igual e diferente
a poetas do mundo inteiro
escrevo sobre a lua
revisão
do pescado original
adão comia peixe
e não maçã
o homem que comia pãos
segunda-feira, 23 de abril de 2012
de tua vida
olhando a minha
no sentido bíblico
disse deus:
- a fim de que possais
gerar a vossa prole
conhecer-vos-ão
então adão e eva
muito dos sacanas
pensaram é que era
pra se conhecerem
vocês sabem como
mas deus só queria
apresentar ao nono
sua própria cria
conhecer vôzão é que deviam
paranormal
sábado, 21 de abril de 2012
pela porta
do terraço
há um anjo pendurado no batente
vejo as portas se abrindo enquanto passo
do degrau debaixo para o de cima
ouço as asas abanando, ouço a salva
de umas palmas céu e sol e mar erguidas
quando passo
pela porta
do terraço
vejo o anjo torto com a cara no chão
e com a mão esquerda, já subindo a casa
ponho o anjo segurança de plantão
sexta-feira, 20 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
one day
segunda-feira, 9 de abril de 2012
texto de minha mãe
domingo, 8 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
de pascoaes
sábado, 31 de março de 2012
morrubro
sexta-feira, 30 de março de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
ainda sobre a visão
quarta-feira, 14 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
o sol não pode viver perto da lua®
mas como nossos corpos ficam
malamarela
domingo, 11 de março de 2012
quadragésima primeira, crês?
sábado, 10 de março de 2012
II
I
variação
sexta-feira, 9 de março de 2012
spa solário interestelar: depoimento de nossos clientes satisfeitos
lete do esquecimento
terça-feira, 6 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
pequeno princípio
sexta-feira, 2 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
rumor
haik16
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
chuva incessante
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
40 nomes para seu anjinho
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
comentário curto sobre a poesia
“Mais do que qualquer outra arte, a poesia é uma forma de educação sentimental”, diz Joseph Brodsky, poeta, ensaísta e Nobel de Literatura. “Sentimentos são o que nós pensamos que sentimentos são. Sentimentos são pensamentos”, diz William Adama, almirante da Battlestar Galactica. Isso me faz pensar no descaso à poesia e ao pensamento, coisa sobre a que Paulo Leminski dizia ao dizer que um poeta não é uma “excrescência ornamental”.
Se a cultura se limita a “ai se eu te pego”, além de reproduzir padrões machistas e nada poéticos de comportamento, ainda faz coro com uma arrogância iletrada que os tempos atuais gostam de exaltar: “eu não sei fazer poesia, mas que se foda”. É o que Chorão e seguidores sempre gostam de falar, enquanto Charles Schulz e o Charlie Brown choram abraçados sobre uma pequena casinha de cachorro.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
cj. 39

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
lição de brasa
lição de casa
domingo, 5 de fevereiro de 2012
cartas do catre II - variação
sábado, 4 de fevereiro de 2012
a ciência do concreto
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
haiku triste de tuim
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
shakes pira
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
despertar
domingo, 29 de janeiro de 2012
a televisão não será revolucionada

domingo, 22 de janeiro de 2012
haik3
sol espelhado no rio
banhado a ouro
sábado, 21 de janeiro de 2012
haik2
ouço os passos do gato
e ela não chega
domingo, 15 de janeiro de 2012
taí
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
trinta e oito, taiwan

Estar tão longe e trancado em casa não faz lá muito sentido, eu me digo. Então pondero. Mas faz frio lá fora e, enquanto penso, o céu resolve por-me bem no meu lugar. Lá fora chove e eu fico aqui.
Dai sei - porque alguém me fala - que a voz la fora é marionete. Teatro de marionete. Do lado de fora de um templo taoista.
Caminho.
Assisto escondido atras de uma esquina ao palco mambembe, verde fluorescente, dragões desenhados, florescentes, luminosos, dor nos olhos, teatro de fantoches. Não faço ideia sobre o que falam, naturalmente.
Depois me descobrem ali oculto. Aparecem do meu lado tres velhinhos taiwaneses, taoistas e cansados, sorriem um pouco e apontam pro meio do toldo que fica de frente pro palco. Eu não tinha visto a plateia, até então, porque não queria surgir ali de repente, virando da parede com minha cara ocidental.
A plateia era os três velhinhos. O palco que eu via estava virado de frente pro templo ou pra casa de alguém que parece um templo - não sei, sinceramente: aqui todo canto tem templos ou casas que parecem templos ou lojas de conveniencia, todo canto. Entre a porta do templo e o palco um toldo cobria um banquete. Incensos queimavam enquanto um porco gigante abatido e estripado descongelava ali perto, um porco gigante provável do mato, provável selvagem, gigante tamanho meu amigo Dines.
E um monte de camarões e um monte de pães e coisas miudas que nao sei o que e mais coisas e coisas e os fantoches falavam tudo com cores e gente chegando e
um dos velhinhos na ponta da mesa, perto do palco, ao lado do incenso, levanta uma garrafa e faz reverências, garrafa de cachaça, tenho quase certeza, e serve três doses na beira do altar. Ou mesa de jantar. Não sei.
Sinto minha energia indo embora. O porco gigante atrás de mim está morto demais pra me dar alento. Os olhos esbugalhados dos camaroes me olham sem me acusar. Passarinhos presos cantam na gaiola.
Quando todos comecam a descarregar o caminhão recém-chegado, tirando de lá de dentro instrumentos pra ritual, pra festa ou sei lá o que, aproveito e venho embora. ¨Obrigado, obrigado, tenho que ir¨, esboco em chines. Sei lá se falei direito. So sei foi que vazei.
No caminho de volta comeco a cantar um ponto de umbanda, sem nem pensar sobre isso. Eles com as coisas deles, eu com as coisas minhas.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
dharma

não se iluda
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
no silêncio da noite
domingo, 11 de dezembro de 2011
oferta
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
buda
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
da utilidade

como prova de amor
terça-feira, 22 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
na morada do sol

Oh!, Sylvia... sim,
Sylvia, porque é o que todos dizem
ao dizer
de ti
e deles.
Sylvia, defunta, passada, antiga. Eras morta já três vezes quando eu sequer nascera
e, veja!, eu nasci.
Nunca fui um judeu, nunca queimaram meus dedos
- exceto eu, com fogos de sãojoão -
nunca senti na carne a lâmina de um outro porque
ora
porque quando o outro chora eu me vou
e passo
e tudo passa
- ainda que eu me lembre bem daquela vez em que
por eu ter ido
ela quis passar foi dessa pra melhor...
Não sou responsável pelo suicídio
nem de mim, nem dos outros.
Não sou responsável por nada, por nada, nem mesmo pelo cachorro morto
de fome que me lambe os pés.
A vida não me assusta, Sylvia,
e nem é uma puta que sento em meu colo e venho a achar amarga...
A vida não é nada
porque a morte também não.
Num tempo futuro, que já passou,
num tempo futuro eu vi a morte
de perto, tão perto, que não deu pra fugir.
Mas não a procurei: apenas vi
como quem vê um vulto ao dobrar a esquina e
poste!
Dá-se com a cara no muro como com a cara na morte.
Não se supera a morte, Sexton, não se supera:
apenas se entrega
ou espera.









